domingo, 23 de dezembro de 2018

As brigas por trás das articulações

Da Coluna Guálter George, no O POVO deste domingo (23):
Há muitos “incêndios” sendo apagados por Camilo Santana na costura da nova equipe e da estrutura administrativa com a qual iniciará, em 1º de janeiro do próximo ano, seu segundo mandato como governador. Alguns de pequena proporção, sem danos maiores a registrar, e outros de dimensões maiores e com potencial para gerar problemas mais adiante se não debelados a tempo e com eficácia. Um caso, ainda sem um vencedor muito claro, envolve o destino que deve ser dado à estratégica Agência de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Adagri), responsável, dentre outras, pela fiscalização do uso de agrotóxicos no Estado. Portanto, visada pelo agronegócio e os ambientalistas com a mesma intensidade de interesses. O que muda é a visão que cada um tem acerca da conveniência de uso do produto como meio de aumentar a produtividade sem afetar a saúde da população, especialmente de quem tralha na atividade agrícola.
Quando esteve em almoço na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), recentemente, Camilo viu-se cercado (no bom sentido) por um grupo de empresários ligados ao agronegócio que lhe apresentou um apelo: quer o órgão vinculado à secretaria do Desenvolvimento Econômico, saindo do âmbito onde está hoje, que se considera território hostil aos negócios e muito favorável aos ambientalistas. Não que os dois movimentos precisem, necessariamente, se desentender, mas a verdade é que prevalece no pessoal do setor produtivo patronal a compreensão de que em tais casos a balança sempre tende para o outro lado. Em detrimento, para eles, do que seria o interesse da economia, do que pode gerar empregos, melhorar rendas etc.
De pelo menos uma fonte, que estava na roda formada em torno do governador, a coluna ouviu o relato de que Camilo garantira que a SDE ficará com a agência e a responsabilidade de regulação de normas que o agronegócio diz serem fundamentais à manutenção do nível de produtividade. Na última sexta-feira, uma semana depois, porém, a mesma fonte, com a voz meio decepcionada, falava de um recuo oficial indicando que o destino da Adagri será mesmo compor a estrutura da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, que na nova configuração governamental herdará boa parte do que atualmente integra a pasta de Agricultura e Pesca.
São tensões, disputas e até brigas naturais a momentos de transição como o que acontece agora no Ceará e que não merecem atenção maior. O caso em questão requer cuidados especiais, porém, porque são interesses quase que limites entre si a conciliar, significando que atender um lado abre possibilidades reais de desagradar o outro. Cabe a Camilo Santana, de novo, encontrar um caminho que lhe permita os menores traumas no novo período de governo que estará abrindo.

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