sexta-feira, 26 de junho de 2015

De olho em 2016, Luizianne e Moroni votam com aposentados

Dois deputados federais do Ceará – Moroni Torgan (DEM), da bancada de oposição, e Luizianne Lins (PT), integrante da base aliada ao Palácio do Planalto, que estão com os olhos voltados para a disputa pela Prefeitura de Fortaleza, decidiram votar pela aprovação da emenda à Medida Provisória estendendo as regras de reajuste do salário mínimo para aposentadorias e pensões. Luizianne e Moroni são pré-candidatos a prefeito da Capital em 2016. O voto de Luizianne foi sem estardalhaço em uma tentativa de evitar conflitos mais abertos e públicos com o Palácio do Planalto. Luizianne foi um dos votos dentro da bancada do PT que contrariam os cálculos do Governo Federal. A presidente Dilma contava com a rejeição da emenda à MP do salário mínimo para fortalecer o pacote fiscal. Já o deputado Moroni Torgan, da bancada de oposição, não quis saber de silêncio, nem de discrição e fez barulho: “Aposentados, vamos descobrir nessa votação quem está do lado de vocês e quem está contra”, bradou Moroni, deixando ainda mais desolado o líder do governo na Câmara, o cearense José Guimarães (PT). Moroni usou o mesmo discurso que os petistas e opositores em governos passados tinham para mostrar o seu voto.
O gesto de Moroni Torgan e Luizianne tenha ainda outra simbologia: como ambos tem planos eleitorais para o futuro, votar contra os interesses de trabalhadores, aposentados e pensionistas pode representar uma fatalidade nas urnas. Foi, assim, que aconteceu com o então senador Inácio Arruda (PC do B) que, no primeiro ano de mandato (2007), votou contra os aposentados e nunca mais se recuperou nas urnas. Inácio saiu das urnas da disputa pela Prefeitura de Fortaleza em 2012 com uma votação medíocre e, em 2014, sequer, conseguiu se eleger deputado federal. Moroni e Luizianne não quiserem repetir o erro de Inácio. Quanto às articulações para tentar manter a base parlamentar unida, o líder José Guimarães gastou saliva nos apelos para os deputados rejeitarem a medida sob o argumento de que o Planalto apresentaria em breve uma alternativa aos aposentados. Com o resultado final, Guimarães antecipou que a presidente Dilma Rousseff vetará as novas regras de correção dos beneficiários dos aposentados e pensionistas. Ao analisar os números da votação, o Governo contabilizou traição da bancada do PDT (12 votos), a infidelidade no PP (19 dos 29 parlamentares votaram contra o Planalto) e mais 12 votos contrários na bancada do PMDB.

**** Ceará Agora

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